caixa de pandora

IDÉIAS SÃO BEM-VINDAS. AMARELAS, PRETAS, COR-DE-ROSA, LISTADAS, NÃO IMPORTA. SÃO ESSENCIAIS PELO SIMPLES – E IMPORTANTE – MOTIVO DE NOS TRANSFORMAR EM QUEM SOMOS. SERES ÚNICOS. EU SOU MO MARCH.

gripe suína que nós mesmos criamos Junho 23, 2009

Grande parte do pessoal que passa por aqui sabe sobre o meu amor pelos animais. Todos eles. Sou daquele tipo de pessoa que quando vê um bicho novinho logo solta um sonoro “Ohhhhh“, tipo a cena do gato de botas em Shrek. Fico hipnotizada por borboletas, gosto de ouvir os passarinhos, seguir vagalumes, salvar abelhas que estão se afogando em copos de refrigerante e por aí vai…

É automático para mim, ser simpatizante de entidades como a PETA e suas iguais criadas mundo afora. E aos ativistas que lutam para que o planeta seja mais amigável para todos, não só para nós, os seres humanos. Por isso, ao ler o último número da revista Vegetarianos, me vi a chorar na página assinada por Márcio Linck, ativista da UPAN [União Protetora do Ambiente Natural].

Sim, deve ter muita gente que pouco se importa e vira a página quando o conteúdo trata de assuntos como esse que replico na íntegra aqui no blog. Sinceramente, não ligo. Prefiro acreditar na parcela de pessoas que lêem e fazem da mensagem algo a se pensar, provocando as mudanças e melhoras que aos poucos vemos no mundo.

Com vocês, “A segunda vingança suína?”…

Ainda é cedo para a humanidade tirar conclusões a respeito dos possíveis estragos que a pandemia da gripe suína poderá causar ao mundo, porém, o que mais tem de verídico e perceptível nesse momento é a incerteza das informações pertinentes ao tema. Em meio a tanto alarde, restrito ao mal físico que o vírus pode causar aos humanos e ao prejuízo econômico da indústria da carne suína (inclusive rebatizaram o vírus de influenza A H1N1), pouco se tem falado das primeiras vítimas dessa cruel e fatídica história, que são os próprios suínos.

Desde que foram domesticados há cerca de nove mil anos, os porcos vivem neste momento a face mais triste e cruel de sua história. Os modernos criadouros suínos formam um ambiente completamente artificial e insalubre, sem ventilação e fétido, onde os pobres bichos vivem enjaulados em pequenos recintos em que mal podem se mexer, pisando apenas num piso de cimento frio. Só veem a luz solar no momento em que são levados de caminhão ao matadouro.

Todo esse martírio começa com a dolorosa inseminação artificial das fêmeas que, logo em seguida, permanecerão em minúsculas jaulas cercadas com barras de ferro onde se quer podem se virar. Ali, aguardam sua gestação de quatro meses até ser conduzidas para a jaula de parir, onde, além de ficar em pé, conseguem apenas deitar para que suas tetas sejam alcançadas pelos filhotes. Estes, em menos de quatro semanas, serão tirados da mãe, que após receber doses maciças de hormônios, entrará no cio e será inseminada, passando novamente por todo o ciclo de tortura. Completamente estressadas, mordem as barras de ferro que as cercam, além de ficar com o focinho em carne viva de tanto esfregar o chão de concreto à procura de terra e palha para construir o ninho que serviria para parir e proteger os filhotes – no mundo natural, as fêmeas chegam a percorrer até 10 quilômetros em busca de um lugar seguro para construir o seu ninho. Somam-se a isso, as feridas e a contaminação provocadas pela insalubridade de um local em que são obrigadas a deitar em cima das próprias fezes e urina.

O calvário das porcas transformadas em máquinas de produzir carne se estende aos filhotes, que após duas semanas, serão retirados do calor e da segurança materna. Este e outros traumas os acompanharão pelos seus curtos 150 dias de vida. Já nos primeiros dias após o nascimento, os porquinhos têm seus dentes cortados sem qualquer procedimento que alivie a dor dos nervos expostos. Mas, antes disso, sem qualquer anestesia, terão também o corte do rabo e, os machos, os testículos arrancados. Nesses lugares não existe consideração e compaixão com a dor alheia, o que importa é o lucro com o bacon, a banha, a carne, a linguiça e tudo mais que possa ser feito com um porco esquartejado.

Extremamente amedrontados, os porquinhos mutilados serão amontoados em pequenas jaulas imundas dentro de galpões com pouca ventilação, extremamente úmidos e sem nenhuma luz solar. Serão alimentados com ração que, além de hormônio, poderá ter em sua composição farelo de peixe. O que já é uma aberração, pois na natureza os suínos não comem peixes. Obrigados a conviver em meio a esse ambiente insalubre e hostil, cerca de 70% deles desenvolvem pneumonia e mais de 25% sofrem com parasitas tipo a sarna. E dá-lhe antibióticos e antivirais! Devido a essas condições imundas, aliadas à manipulação genética, é que os porcos acabam por contrair doenças e ao mesmo tempo desenvolver resistência contra elas. É o que pode ter acontecido com o vírus da gripe suína, suspeito de conter genes de várias espécies, entre eles os da gripe humana e aviária.

Na localidade de La Glória, no México, onde ocorreu a primeira manifestação da epidemia, a responsabilidade recai na criação de porcos das granjas Carroll, subsidiária da norte-americana Smithfield Foods, instalada ali em 1994 depois de ter sido expulsa da Carolina do Norte e da Virgínia por danos ambientais. A empresa cria e abate quase um milhão de animais por ano e é acusada de contaminar os recursos hídricos da região com fezes e urina dos animais, depositados em tanques a céu aberto.

No mundo natural e num ambiente saudável, os porcos são animais extremamente higiênicos, sensíveis e sociais. Têm uma inteligência igual ou superior a algumas raças de cachorros, atendem pelo nome e podem reconhecer entre 20 e 30 indivíduos diferentes. Então, a natureza é sábia e não é à toa que surgem nesse meio epidemias tipo a suína. E quem é o principal responsável por essa situação senão o consumidor? Quem sabe esta seja a segunda vingança contra seus algozes, já que a primeira decorre das inúmeras doenças desencadeadas pelo consumo de suínos sob a forma de gordura saturada.

 

 

isso é improvável, mas funciona! Junho 11, 2009

Feriadão, chuva, frio. Tá aí jogado como eu sem muitas esperanças de que o dia traga algo de legal? Pois, como diziam os Cassetas, seus problemas acabaram!

Estava eu no Twitter dando uma zapeada quando encontrei um vídeo tudo-de-bom no perfil do Rafael Porto, jornalista que assina como Alforria. E, por conta deste, mais um [e outros tantos, mas escolhi só dois]. Tem gente que diz que as ferramentas web 2.0 não servem pra nada… Talvez seja a hora de reavaliar conceitos e verificar o uso que se está dando a elas, não é mesmo? É aquela velha história: falar mal é muito mais fácil do que conhecer, implentar de maneira correta e tirar bons frutos como resultado.

Sem mais delongas filosóficas, aí vão os vídeos geniais. Ah, como no primeiro eles não explicam do que se trata direito, os atores só podem se falar com perguntas. É longo, mas fica cada vez melhor! E o segundo, de imitações, é mais curtinho mas muito engraçado tb.

 

 

 

 

 

casamento aberto | por martha medeiros Junho 5, 2009

Andou circulando pela internet um texto creditado a Danielle Mitterrand, viúva do ex-presidente francês François Mitterrand. Pelo teor, acredito que seja mesmo de sua autoria. Quando permitiu que a a amante e a filha que ele teve fora do casamento comparecessem aos funerais, Danielle comprou uma briga com a ala mais conservadora da sociedade francesa. Agora está se defendendo com uma reflexão que serve para todos nós

É sabido que a instituição casamento vem se descredibilizando com o passar do tempo. Hoje, uma relação que dura vinte anos já é candidata a entrar para o Guiness. Li outro dia uma pesquisa sobre os casais mais “divorciáveis” da atualidade. A tal de Paris Hilton era mais cotada para se separar no primeiro ano de matrimônio – erraram: nem chegou a haver casamento. E fora do mundo das celebridades não é muito diferente. Os pombinhos estão no altar, e os amigos, na igreja, já estão fazendo suas apostas para a duração do enlace. Todo mundo quer casar, adora a ideia, mas poucos ainda acreditam no felizes para sempre, e não porque sejam cínicos, mas porque conhecem bem o contrato que estão assinando: com exigência de exclusividade vitalícia, ou seja, ninguém entra, ninguém sai. Difícil achar que isso possa dar certo nos dias atuais.

O casamento vai acabar? Nunca, mas vai continuar a fazer muita gente sofrer se não entrarem cláusulas novas nesse contrato e se as cabeças não se arejarem. Danielle Mitterrand diz o seguinte: “Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente.” E termina citando sua conterrânea, Simone de Beauvoir: “Temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida”.

Estamos falando de casamento aberto, sim, mas não desse casamento escancarado e vulgar, em que todos se expõem, se machucam e acabam ainda mais frustrados. Casamento aberto é outra coisa, e pode inclusive ser monogâmico e muito feliz. A abertura é mental, não precisa ser sexual. É entender que com possessão não se chegará muito longe. É amar o outro nas suas fragilidades e incertezas. É aceitar que uma união é para trazer alegria e cumplicidade, e não sufocamento e repressão. É ter noção de que a cada idade estamos um pouquinho transformados, com anseios e expectativas bem diferentes dos que tínhamos quando casamos, e quem nos ama de verdade vai procurar entender isso, e não lutar contra. Sendo aberto nesse sentido, o casal construirá uma relação que seja plena e feliz para eles mesmos, e não para a torcida. E o que eles sofrerem, aceitarem, negociarem ou rejeitarem terá como único intento o crescimento de ambos comos seres individuais que são.

Enquanto não renovarmos nossa ideia de romantismo, continuaremos a bagunçar aquilo que foi feito apenas para dar prazer: duas pessoas vivendo juntas. Eu não conheço nada mais difícil, mas também nada mais bonito. E a beleza nunca está  nas mesquinharias e infantilidades. A beleza está sempre um degrau acima.

 

Quer publicar seu livro? www.clubedeautores.com.br! Maio 27, 2009

Sensacional. Não tem outra palavra pra descrever o que achei da proposta do Clube de Autores, criado pelos empresários Índio Brasileiro Guerra Neto e Ricardo Almeida. Olha que falo de cadeira: já suei para tentar publicar um livro por editora comercial [não consegui], abri uma editora por conta própria [que foi vendida porque ninguém merece os custos de ficar vivo aqui no mercado brasileiro] e achei que nunca mais iria conseguir ver uma fresta de esperança para quem, como eu, sonha ver as páginas impressas sendo folheadas por leitores em todo o mundo…

Mas eis que abro minha revista Época deste fim de semana e me vejo a ler uma matéria sobre o site. O que me fez começar a rever os meus conceitos sobre produção sobre demanda e a acreditar na luz no final do túnel. Isso porque os caras não se metem em quase nada [na medida do que o sistema permite]. Você entra, se cadastra, insere o livro, escolhe a capa [que é uma das partes limitadas a que me referi... infelizmente], sobe o PDF [que eles ajudam a montar em um tutorial com dicas super práticas], diz quanto quer ganhar de direitos autorais e… Voilà! Seu livro já tem uma página de venda on line, com possibilidade de usar várias formas de pagamento, como cartões de crédito e boleto bancário.

Mais: você pode consultar a sua conta de direitos autorais a hora que quiser, recebe por transferência bancária [quando o valor atinge um patamar de R$ 300], tem cursos on line para ajudar a montar um bom produto e depois divulgá-lo. Um show.

Esqueça gastar fortunas para ter o seu livro publicado por uma editora sob demanda [no Clube não existe limite mínimo para impressão], esqueça ter de correr atrás de editoras comerciais com cópias encadernadas para análise [talvez no futuro, elas é que corram atrás de você], esqueça a tristeza de ver seu trabalho jogado dentro de uma gaveta ou em alguma pasta do seu computador por anos e anos. Chegou a hora de esquentar novamente os teclados e mandar ver!

Já estou providenciando a publicação de meu segundo livro Óleos na banheira pelo Clube, é claro, e prometo avisar a todos quando isso acontecer. Assim vamos poder comprovar juntos que ainda é possível realizar esse sonho sem tanta burocracia e tantos tropeços.

;p

http://www.clubedeautores.com.br

 

loucura, loucura, loucura | by mo march Maio 26, 2009

Tem coisas que acontecem na vida da gente que são difíceis, quando não impossíveis, de explicar. Acredito que todo mundo já tenha passado por algo assim. Alguns com mais percepção, outros com menos. A verdade é que o coração costuma nos pregar peças e, para ele, não existe “zona de conforto”.

De tanto procurar um amor de verdade e não encontrar, não é que o bendito acabou me encontrando? Ironia do destino, diriam por aí… Agora eu, que tão cega fui, tenho de me acostumar a ser a parte invisível. Só me resta escrever. Pra ele, pra mim, pra ninguém. Só pra colocar os sentimentos no papel. Porque gostar de alguém dessa forma parece sempre valer a pena. Encanta o coração.

Talvez um dia ele sente embaixo de uma árvore com os filhos e conte que existiu uma época em que uma maluca ficava escrevendo pra ele só porque saíram juntos duas ou três vezes… Como saber? Não importa, mas é claro que eu prefiro imaginar que a história pode ser outra. Algo como: “Querem ver as coisas loucas e apaixonadas que sua mãe escreveu pra mim? A gente se conheceu em uma noite em que passei o tempo todo atrás dela e só levei ‘nãos’. Depois tive um trabalhão pra encontrar o e-mail dela e trocamos mensagens de vez em quando sem muita emoção. De repente ela resolveu jantar comigo, conversamos horas, descobrimos que éramos muito parecidos, nos beijamos, saímos de novo e viajamos juntos. E, só pra contrariar, quem estava sem vontade de estar com alguém naquele momento era eu. Então foi a vez dela tentar me mostrar que algo de realmente bom podia surgir dali. Uma confusão. Mas o tempo passou e, um belo dia, a gente se encontrou de novo e, não sei como nem por quê, nunca mais nos separamos.

Mente fértil? Talvez. Afinal, pra quê servem os sonhos?

 

 

 

60 anos de sociedade brasileira em PB Maio 25, 2009

Começou no sábado [24 de maio], na Pinacoteca do Estado de São Paulo,  uma exposição de fotografias bem interessante: “Um acervo em preto e branco”. As imagens contam um pouco do desenvolvimento social e comportamental da sociedade brasileira.

As cerca de 80 imagens foram capturadas em vários Estados do país, por figuras tarimbadas dos cliques como Boris Kossoy, Cláudia Andujar, Carlos Moreira, Cristiano Mascaro, Fernando Lemos, German Lorca, Thomaz Farkas, entre outros – que gentilmente doaram as fotografias à Pinacoteca.

Se você é um amante do assunto, não perca!

Pinacoteca do Estado [Praça da Luz, 2, Centro, 11 3324-1000], de terça a domingo, das 10h às 18h. Até o dia 9 de agosto. Ingresso combinado [Pinacoteca + Estação Pinacoteca] por R$ 4 de terça a sexta e domingos. Grátis aos sábados!

 

o passarinho me pegou: twitter.com/momarchphoto Maio 22, 2009

Arquivado em: geral — momarch @ 3:54 pm
Tags: , ,

Gente, não teve como escapar da nova tendência de web – o Twitter. Agora estou por lá também, tentando usar a ferramenta como um disseminador de informações legais para quem escolhe entrar no meu perfil e clicar em “Follow”… Vamos ver no que vai dar essa nova onda digital!

 

twitter_mo

 

Fotos Track&Field RunSeries | Galleria Shopping Campinas Maio 16, 2009

Pessoal, as fotos tiradas dos participantes da Track&Field RunSeries do Galleria Shopping neste domingo [17/5] estarão disponíveis para compra a partir desta segunda, dia 18/5.

É só enviar o número de peito do participante, deixando seus contatos e aguardar meu contato ou enviar um e-mail diretamente para momarchfotografia@gmail.com - para que eu possa verificar a existência de imagens e apresentar as alternativas para compra.

Bjs e boa sorte amanhã!!!

[Abaixo uma pequena galeria com algumas fotos do Adriano Bastos, um fenômeno amador conhecido por suas vitórias na maratona da Disney, que mostra a cada dia que vale a pena acreditar em si mesmo. Ele conquistou o segundo lugar no pódio dos 10K!]

 

 

 

o céu não é o limite Maio 15, 2009

Jornada nas Estrelas foi e ainda é uma febre. São inúmeros os “startrekers” mundo afora colecionando toda sorte do coisas e se cumprimentando com gestos de mão. Vi reportagens que apresentavam pessoas que customizaram ambientes e até casas inteiras com logotipos, fotos, símbolos, histórias.

Confesso que nunca fui fã. Mal vi os filmes originais que deram origem às comunidades que hoje inspiram e divulgam a paixão pela série de longas que levou milhões de pessoas aos cinemas anos atrás. Mas me animei quando li as boas críticas e descobri que o diretor é o mesmo da série Lost, da qual sou seguidora fiel [eu sei, tá complicado de entender o que anda acontecendo nos capítulos... mas eu ADORO]. Melhor para nós, espectadores, que podemos usufruir do talento de J. J. Abrams e suas viagens criativas inspiradoras.

Lá fui eu, então, conferir se as expectativas que criei seriam confirmadas… E foram. O filme mistura ficção com aventura e humor na medida certa, com destaque para a atuação do ótimo Zachary Quinto, como Spock. Ele que foi um dos melhores personagens da série Heroes, o Siller [sim, aquele que matou 90% do elenco e tinha todos os poderes que gostaríamos de ter juntos]. Participações especiais também empolgam.

Acredito que, se tivesse visto os outros filmes – sucessos a partir da década de 1960, talvez entendesse melhor certos viésses que provavelmente passaram despercebidos aos leigos. Uma pena. Porém, a diversão e o envolvimento são fortes mesmo assim. Como o elenco é jovem, para contar a origem da equipe e como todos foram parar dentro da famosa sala de comando da Enterprise, o tom dos diálogos é inteligente e divertido.

Entretenimento de alta qualidade no filme de número 11 da saga interestelar. Ponto.

 

Fila Night Rain… ops! Run Maio 11, 2009

O nome do post veio de uma troca de mensagens com a minha amiga e veterinária favorita Andréa Jóia… Tudo porque, no sábado, depois de uma tarde agradável na arena montada na Cidade Universitária [USP] para o aguardado Fila Night Run, a noite caiu e  – junto com ela – um verdadeiro aguaceiro…

Acho que foi a primeira vez em minha vida que realmente entendi o significado da expressão “como um pinto molhado”. Minha roupa estava grudada no corpo e eu rezava para o meu celular [guardado em uma bolsa na cintura] sobrevivesse bravamente ao dilúvio que acompanhou os 8 mil participantes desde os 15 minutos iniciais da prova.

E sabe aquela frase “não pode ficar pior”, que costumamos dizer quando as coisas não saem exatamente da maneira como planejamos? Pois assim que eu pensei nela quando a corrida terminou, me arrependi… Acho que o índice pluviométrico dos cinco minutos após minha chegada deve ter dado conta do que deveria chover em todo o ano! Além do que, a organização do evento não estava preparada para a água torrencial que veio abaixo e ficamos minutos que pareciam uma eternidade na fila de saída, aguardando por nossa tão merecida medalha!

Você acha que minha noite acaba aqui, não é? Pois então sente e relaxe. Já está sentado? Então só relaxe. Não sei se você que lê o post nesse momento conhece bem as redondezas da famosa Universidade de São Paulo, mas a região é conhecida por suas enchentes prá lá de catastróficas. E meu carro estava parado nessas redondezas citadas… Ou seja, fui tremendo de frio e rezando até o local onde estacionei, passando por verdadeiros rios e sendo [mais!] encharcada pela chuva, pelos motoristas sádicos que passam perto de você apenas para te molhar e pelos alagamentos propriamente ditos.

A boa notícia é que quando cheguei tudo estava bem. Pude tirar [e torcer] minha camiseta oficial do evento e – thanks God! – ficar com uma regata seca que estava milagrosamente salva por baixo de toda aquela água. Liguei o ar quente do carro, me senti viva e com esperanças de não cair dura com a tal gripe que anda derrubando meio mundo.

Mas valeu a aventura e a medalha era linda!!!!  =]

 

o amor que a vida traz | por martha medeiros Maio 5, 2009

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira, já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um emprego seguro. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da “Playboy”. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora você está aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada o amor solicitado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais não imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia encomendado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse  conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia quem nem lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso. Olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho! Aquele amor discretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém para o qual um amor discretinho costuma ser desprezado. Repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.

Mais uma da divina Martha Medeiros, agora em coluna do jornal carioca O Globo.

 

o país da bola precisa aprender a jogar junto Maio 3, 2009

Outro dia estava conversando com minha irmã e meu cunhado sobre o reinado do futebol nas terras brasileiras, que ultrapassou todas as fronteiras nacionais e tomou conta até da língua pátria. São tantos os exemplos que ficamos durante minutos enumerando as expressões que já são parte do nosso vocabulário: “pisou na bola”, “bola dentro”, “está com a bola murcha”, “não dá bola”, “a bola da vez” etc. etc. etc.

A verdade é que esse esporte que move multidões em todo o mundo entrou no sangue daqueles que nascem por aqui – é praticamente hereditário esse amor sem muita explicação que se sente quando a redonda está rolando pelos gramados verdes. Até eu, que não sou muito fã do esporte, me emociono ao ver a vibração inconteste das torcidas nos estádios. É pura energia. Faz arrepiar, lágrimas sobem aos olhos, se perde a noção do tempo e tudo vira um único grito de felicidade.

Hoje os corinthianos comemoram a conquista de mais um Campeonato Paulista de Futebol. O título de 2009 vai para os anais deste clube tão tradicional que estava deixando a sua fiel torcida à beira de um ataque de nervos depois de fazer uma rápida passagem pela segunda divisão. Louros merecidos a Ronaldo, o fenômeno, que chegou trazendo esperança, mas – muito mais do que isso – um talento que, em boa parte, transformou os ânimos do time e de seus seguidores.

Triste é apenas a reação exagerada da rivalidade que não deixa que as estruturas do esporte melhorem no país como um todo. Numa recente discussão em fórum sobre a realização da Copa de 2014 no Brasil [não por mérito, mas por simples atendimento ao rodízio de continentes hoje aposentado pela FIFA], o que se pode apreender é que, se fosse possível deixar de lado as rivalidades entre os times fora do campo, o futebol teria o poder de transformar sua estrutura e trazer mais beleza e prosperidade a todos os envolvidos em seu show democrático.

Como modificar isso e colocar o mais famoso esporte brasileiro no pódio? Boa pergunta. Nem mesmo os especialistas no assunto souberam responder. A falta de visão do torcedor brasileiro, que ainda enxerga somente pelo buraco da fechadura de seu próprio umbigo, não consegue conceber o “dar as mãos” por um futuro mais promissor na área. Fica, então, apenas a torcida para que daqui a cinco anos o país não se transforme em um grande canteiro de obras de estádios concebidos e construídos sem planejamento estratégico. Ou – pior, alvo da chacota mundial por ser ao mesmo tempo o berço de vários dos maiores talentos da bola, porém um perdedor na hora de unir forças e vencer as brigas infrutíferas do esporte. Uma tremenda “bola fora”.

 

quando todos queremos ser jody foster Abril 30, 2009

No mundo injusto em que se vive hoje, quando aparece uma personagem que providencia um pouco de equilíbrio nessa equação de medo e violência, ela vira uma unanimidade. Se o rosto na telona é da menina-prodígio Jody Foster [que, tudo bem, não tem mais quase nada de menina a não ser o tamanho mini...] nem se fala.

É o que acontece em Valente, o último longa da atriz a chegar aqui em terras brasileiras. Confesso que não vi no cinema e sim na tevê, por acidente, em uma noite de preguiça homérica. Levando-se em conta a programação cada dia pior das empresas de transmissão a cabo, fui surpreendida.

A história nem é lá tão original, mas é bom poder ver, pelo menos em filme, sendo feita justiça.  Ah, sei que tem toda aquela história de “direitos humanos” e sou a favor de todas as regras que ditam que as pessoas são inocentes até prova em contrário. Mas, vamos combinar, quando você sabe que a pessoa fez uma atrocidade, que tirou de você alguém que você amava e que, provavelmente, fará isso – por puro prazer de oferecer violência gratuita – com outras pessoas no futuro, não há como não incorporar a personagem de Jody no filme. Eu não teria feito diferente, digo de coração.

Não estou fazendo apologia ao homicídio, para que se saia matando à torto e à direito – uma coisa meio “paredão chinês”, mas as cenas mostradas no filme não deixam dúvidas quanto à sua maldade implícita.  Como não reagir daquela maneira? Como não querer melhorar o mundo apagando [com o perdão do trocadilho], párias da sociedade que mal entendem o que é justiça, bondade ou qualquer coisa positiva do gênero?

É basicamente [mais] um grito de alerta que fica aqui no blog, para que se possa pensar sobre o assunto, para que ele não “morra” por aí, sem esperanças de resgate…

 

No escurinho do cinema Abril 22, 2009

Com esse friozinho que está começando a fazer em São Paulo nada melhor do que se mandar para uma boa sala de cinema e curtir filmes na telona. Eu amo. Sempre que posso dou a minha “saída estratégica pela direita” para me aventurar nas histórias que estão sempre entrando em cartaz.

Nesta última semana, com feriados espalhados a torto e a direito pela agenda, aproveitei para tirar o atraso de um dos meus gêneros favoritos: a comédia romântica [e seus similares nacionais]. Confesso que passei momentos deliciosos, com direito até a repeteco por conta da diversão garantida.

Estou falando do filme “Ele não está tão a fim de você” [He's just not that into you], baseado no livro com título quase idêntico, porém um pouco mais duro – “Ele simplesmente não está a fim de você”, de Greg Behrendt e Liz Tuccillo – que virou bestseller de auto-ajuda. É difícil imaginar, mas os roteiristas conseguiram transformar uma sequência de tópicos e dicas em um divertidíssimo emaranhado de situações tragicômicas entre personagens que têm suas vidas interligadas. Mas o mais sensacional é a sinceridade e a verdade existentes nos diálogos, nas situações apresentadas na tela. É praticamente impossível não se identificar. Vi duas vezes e veria outras se o preço das sessões não fosse tão estorcivo em nosso belo país.

Outro passatempo bem easy é “Os delírios de consumo de Becky Bloom” [Confessions of a shopaholic], baseado no primeiro livro da inglesa Sophie Kinsella, um bom motivo para sentar e pensar no que realmente é preciso ter para ser feliz… Uma forma bem humorada de tratar das loucuras consumistas que assolam a nossa sociedade hoje. Se bem que, vamos dar um descontinho pra pobre Becky, afinal, ela vive na cosmopolita Nova York e as liquidações por lá costumam ser verdadeiras operações de guerra contra qualquer ser humano que possua no mínimo um cartão de crédito!

A última sessão a comentar: o brasileiro “Divã”, com roteiro adaptado da obra da minha queridíssima Martha Medeiros [a quem já elogiei um tantinho aqui no blog]. Dando um banho de interpretação, Lilia Cabral protagoniza a história e nos faz rir e chorar na mesma medida – por motivos que vão da alegria enlouquecida à tristeza sem freio. Ponto para o diretor Cláudio Torres, filho de Fernanda Montenegro e irmão de Fernanda Torres, que consegue levar para a telona situações muito próximas de quem já viveu um grande amor que acabou com o tempo – ou seja, boa parte da população mundial…

Aproveitando a deixa cinematográfica, queria comentar o excelente “O curioso caso de Benjamin Button” [The curious case of  Benjamin Button], que ficou mais conhecido por ser o último filme do Brad Pitt do que por seu mérito de contar uma história diferente e emocionante. Foi, dos últimos filmes a que assisti, um dos melhores e, com certeza, deve fazer parte de minha DVDteca no futuro próximo. Tem roteiro adaptado de um conto de 1920 de Scott Fitzgerald, que faz a gente pensar profundamente sobre como é importante se concentrar no hoje, porque independente da direção que se esteja indo, o tempo passa e tudo muda – não temos controle sobre isso. Ótima interpretação do belo Brad Pitt [que só fica belo parte do filme, é bem verdade...] e da sempre estonteante – em beleza e atuação – Cate Blanchett.

 

terapia do amor | por Martha Medeiros Abril 20, 2009

O filme Terapia do amor conta a história de uma mulher de 37 anos que se envolve com um garotão de 23, e a coisa funciona às maravilhas, é claro, porque um homem e uma mulher a fim um do outro é sempre uma combinação explosiva, não importa a idade. Mas como em todo conto de fadas que se preze, há a bruxa, no caso a mãe do guri, que não gosta nadinha da idéia, mesmo sendo uma psicanalista de cabeça feita – aliás, psicanalista da própria nora, descobre ela tarde demais. Desse “triângulo” surgem as tiradas engraçadas (Meryl Streep dando show, como sempre) e também a partezinha do filme que faz pensar.

Pensei. Mas não na questão da diferença de idade, tão comum nas relações atuais. Se antes era natural homens mais velhos se relacionarem com ninfetas, agora mulheres mais maduras (não existe mulher velha antes dos cem) se relacionam com caras mais jovens e está tudo certo, até porque eles também tiram proveito. A troco de que gastar energia com uma garotinha cheia de inseguranças? Mais vale uma quarentona que perdeu a chatice natural de toda mulher e se tornou serena, independente, auto-confiante e bem-humorada. São mais relaxadas, garantem o próprio sustento e não perdem tempo fazendo drama à toa. Qual homem que não vai querer uma mulher assim? Se você acha que este parágrafo foi uma defesa em causa própria e a de todo mulherio que não tem mais vinte anos, acertou, parabéns, pegue seu brinde na saída.

Sem brincadeira: o mais interessante do filme, a meu ver, foi mostrar que é difícil viver um relacionamento sabendo que ele vai terminar ali adiante, mas que, mesmo assim, vale a pena, nunca será tempo perdido. Fomos todos criados para o “pra sempre”, como se o objetivo de todos os casais ainda fosse o de constituir família. Quando é, convém pensar a longo prazo. Só que hoje muitas pessoas se relacionam sem nenhum outro objetivo que não seja o de estar feliz naquele exato momento, mesmo sabendo que as diferenças de religião, idade, condição social ou ideologia poderão encurtar a história (poderão, não quer dizer que irão). Há cada vez menos iludidos. Poucos são aqueles que atravessam uma vida tendo um único amor, então, vale o que está sendo vivido, o momento presente. “Dar certo” não está mais relacionado ao ponto de chegada, mas ao durante.

A personagem de Meryl Streep, depois de ter todos os chiliques normais de uma mãe que acha que o filhote está perdendo em vez de estar ganhando com a experiência, organiza melhor seus pensamentos e diz, ao final do filme, uma coisa que pode parecer fria para ouvidos mais sensíveis, mas é um convite a cair na real: “Podemos amar, aprender muito com esse amor e partir pra outra”. O compromisso com a eternidade é opcional e ninguém merece ser chamado de frívolo por não fazer planos de aposentar-se juntos.

Já escrevi sobre isso em outras ocasiões e sempre acham que estou descrevendo o apocalipse. Ao contrário, triste é passar a vida falando mal do casamento – estando casado – e colecionando casos extraconjulgais e mentiras dolorosas. Melhor legitimar os amores mais leves, menos fóbicos, comprometidos com os sentimentos e não com as convenções. Esses serão os melhores amores, que poderão, quem sabe, até durar para sempre, o que será uma agradável surpresa, jamais uma condenação.

 

Antes de gostar de escrever, aprendi a gostar de ler [e acredito que isso tenha ajudado muito no meu gosto e facilidade para colocar as ideias no papel]. Nada: nem internet, nem o que quer que seja, vai substituir o prazer de pegar um bom livro nas mãos e viver momentos que só os que fazem isso entendem como são.

Por isso faço questão de falar/escrever aqui sobre livros que li e acho que valem a pena, como fiz há pouco tempo com “Comer, Rezar, Amar” de Elizabeth Gilbert no post de mesmo nome.

Hoje, minha indicação vai para o livro “Doidas e santas”, de Martha Medeiros. Escritora, colunista, mulher de muitos talentos, ela consegue traduzir sentimentos e impressões humanas em palavras de maneira única. São dela também os excelentes: Divã [que acaba de virar filme longa metragem], Montanha-russa, Topless entre outros tantos sucessos.

Na verdade, gosto tanto dela que resolvi dividir algumas das ótimas crônicas de Martha no blog. Para ver todas em uma mesma página é só escolher a categoria Martha Medeiros no menu lateral.

 

veja lá quem você anda desprezando Abril 18, 2009

Antes mesmo de todo o sucesso do vídeo na internet, um amigo já havia me enviado o link. Um tapa na cara de quem vive pré-julgando as pessoas por seu modo de ser, vestir, parecer. Afinal todos nós temos nossos talentos e nem sempre eles estão à vista, à superfície de nós mesmos.

Devemos então um “viva” à Susan Boyle. Uma mulher simples e corajosa que deixou o Simon, em seu próprio programa, o Britain’s got talent, com aquela cara de “como assim???” que todos adoramos ver [pelo menos os fãs de American Idol...].

 

 

 

Smack! Mais um delicioso dia do beijo Abril 13, 2009

Ele gosta das minhas sobrancelhas e do meu sorriso. Eu me apaixonei pelo brilho nos olhos castanhos claríssimos que me seguiam sem piscar, incansáveis. Ele brincava com as minhas pálpebras de um jeito engraçado e carinhoso, que me fazia sentir especial e querida. Eu queria cada vez mais passar meus dedos devagar por seus cabelos e morder aquele queixo cheio de personalidade e charme.

Foi tudo tão rápido, como as estrelas cadentes que vi em janeiro. Uma beleza que não se pode segurar e guardar entre as mãos para ter a todo momento.

Nada é perfeito na vida – ali, com ele, parecia que era possível chegar bem perto disso. O gosto pelas viagens, fotografia, esportes e animais [must love dogs!]. As músicas – de todos os tipos – cantadas em alto e bom som nas estradas, nos passeios. Os versos Shakesperianos completados em uníssono. A vontade de preservar as liberdades mesmo estando o coração prisioneiro.

O perfume, o toque, a voz, o riso – foi bem desprevenida que me pegaram. Ele virou o “super-homem” que eu deveria ter guardado somente pra mim. Naquele cantinho do meu coração que batia forte de alegria quando estávamos juntos e que se apertou, ficou bem pequenininho, quando ele foi embora.

Nesse dia do beijo eu gostaria que o final fosse apenas uma pausa. Um intervalo nessa história tão normal e, ao mesmo tempo, tão diferente. De dois corações descompassados encontrando o ritmo que os leva um ao encontro do outro. Sem pressa, sem expectativas. Apenas para ser feliz.

 

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quando você se importa, algumas pessoas simplesmente não se importam… e aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto… plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.

[William Shakespeare]

 

 

 

Final feliz | por Lusa Silvestre Abril 12, 2009

Outro dia fui conversar com duas amigas solteiras, lindas como cachos de ametistas e no auge da forma física e cerebral. Elas me pareciam azedas, e eu quis saber o que acontecia. Pra quê? Começaram a me bombardear com estatísticas e paúras: que estavam solteiras, que tinham abandonado o sonho de ter filho aos 30, que os homens estavam podendo escolher quem quisessem – e ainda fazendo vários test-drive por noite para decidir com mais base. Ouvindo tanta desesperança, se fosse solteira, ia dali direto a um convento, renegando sexo, chocolate e até promoções na Sarah Chofakian. Gente, não é nada disso!

Primeiro: vamos parar com essa história de que o poder está com os homens. Desde o primeiro sapiens, basta uma balançada de cabelo e uma lufada de xampu para cem mil corações masculinos enfartarem. Quem se desesperou primeiro, Romeu ou Julieta? Então: Romeu. Quem arrancou Inês da tumba e fez a corte inteira sair beijando mãos putrefatas? Rei Pedro. Quem abdicou do trono da Inglaterra para ficar com a Senhora Simpson? Duque de Windsor. Então, percebam: é o homem que estáaos seus pés, não o contrário. A gente precisa de vocês como queijo branco da goiabada. Se na balada parece ser diferente, é mero soluço da história. No fim da noite, os homens vão sempre voltar às suas Helenas, como sempre foi e como Chico Buarque falou. E quando ele fala, a gente concorda, porque, gente, é o Chico!

Claro, há sugestões importantes. Ansiedade, por exemplo: será que ele vai ligar? Pode demorar, mas liga. E quanto mais indiferente à demora você estiver, maior o tombo dele. Demorou uma semana? Em vez do óbvio, que é ser fria e bravinha no primeiro alô e totalmente dada no tchau, seja simpática do começo ao fim. E coloque o cara na geladeira, mas sem deixar de dar corda. Hummm, ele vai surtar. Outra coisa também ligada à ansiedade é querer achar o cara ideal. E existe cara ideal? Necas. Todo homem corta a unha na sala, assiste futebol de sandália, deixa a toalha molhada na cama e fica com o olhar perdido pensando em outro assunto enquanto você fala. Sem ansiedade, sem pressa. E daí que você está nos 30? Atualmente, com a ciência ajudando, a mulher fica linda muito mais tempo. Se Balzac fosse escrever hoje, mudaria a idade-padrão da balzaquiana de 30 para 50. Maturidade não é defeito.

E, falando nisso, celulite e estria também não são. Gisele Bündchen tem. Scarlett Johansson também. Dizem até que Cleópatra tinha. Homem só nota celulite em duas ocasiões: quando sai celebridade de maiô na revista de fofoca e quando vocês fazem questão de dizer que celulite é um horror. O que afasta o homem não é a celulite, os 30 anos, o emprego melhor: é a mulher chata, aquela que não se dá bem com os amigos, que reclama, que faz o cara desmarcar o futebol para ir com ela ao chá de bebê, essas coisas. Aliás, se você quiser desbancar a concorrência da noite, basta ser legal. O homem pode até desejar a mais gostosa, mas sempre fica com a legal.

Na hora de conversar sobre um filme recém-assistido, de pedir colinho porque a vida está dura, de chorar as pitangas de um trabalho perdido, queremos uma mulher que ouça, que seja gente boa, da qual nossos amigos gostem, que suporte a nossa família, que tome cerveja, que rache a conta e que ande de Celta 1.0 como se fosse Mercedes. Sim, massagem no pé ajuda também. Mas, seja esperta: só depois de casar.

 

Lusa Silvestre é publicitário, autor do livro “Pólvora, gorgonzola e alecrim” e roteirista do premiado filme “Estômago”. A coluna aqui replicada foi publicada na revista Época e me chamou a atenção por sua intimidade com o universo do sempre misterioso comportamento masculino. Espero que possa ajudar às mulheres que passarem pelo blog, acrescentando informações importantes no quesito ser feliz.

 

você acredita nos seus sonhos? Abril 11, 2009

Já faz um tempinho que ouvimos falar sem parar do livro-bestseller The Secret, escrito por Rhonda Byrne, e que chegou por aqui em formato de filme pirata e show de slides em PPT. Muitas pessoas arrepiam somente por estar por perto quando alguém cita a teoria tão disseminada em todo o mundo – de horror.

Deveriam repensar suas atitudes. Simplesmente porque a reação mostra o quão pouco acreditam em seus próprios sonhos. Afinal praticar o famoso “the secret” [ou "o segredo" para os que preferem a língua-pátria] é, nada mais nada menos, focar em seus desejos mais profundos, acreditando com cada poro de seu corpo, com cada vibração de neurônios de sua mente, que eles realmente irão acontecer. E logo.

Livros de auto-ajuda existem em um sem número de títulos. Invocam em sua raiz sempre a mesma coisa: o comprometimento com o nosso próprio sucesso, com o quanto estamos indo atrás daquilo que queremos, aquilo que irá nos fazer felizes. Os pensamentos têm, sem dúvida, grande participação nisso. Já reparou se você parece aquela hiena do desenho animado, que vive dizendo “Ó, vida, ó, dia, ó, azar”? Ou se, ao contrário, tem na ponta da língua sempre o comentário mais positivo, é uma pessoa para quem o copo está constantemente “meio cheio”?

Transformar sonhos em realidade não é um conto de fadas. É possível, acontece a todo momento em todos os cantos do mundo. Basta prestar atenção nas histórias que ouvimos sem parar sobre pessoas que se superaram e venceram. Pessoas que – não importa o que acontecesse – nunca deixaram de acreditar que podiam. Resultado? Vitória. Na certa.