Grande parte do pessoal que passa por aqui sabe sobre o meu amor pelos animais. Todos eles. Sou daquele tipo de pessoa que quando vê um bicho novinho logo solta um sonoro “Ohhhhh“, tipo a cena do gato de botas em Shrek. Fico hipnotizada por borboletas, gosto de ouvir os passarinhos, seguir vagalumes, salvar abelhas que estão se afogando em copos de refrigerante e por aí vai…
É automático para mim, ser simpatizante de entidades como a PETA e suas iguais criadas mundo afora. E aos ativistas que lutam para que o planeta seja mais amigável para todos, não só para nós, os seres humanos. Por isso, ao ler o último número da revista Vegetarianos, me vi a chorar na página assinada por Márcio Linck, ativista da UPAN [União Protetora do Ambiente Natural].
Sim, deve ter muita gente que pouco se importa e vira a página quando o conteúdo trata de assuntos como esse que replico na íntegra aqui no blog. Sinceramente, não ligo. Prefiro acreditar na parcela de pessoas que lêem e fazem da mensagem algo a se pensar, provocando as mudanças e melhoras que aos poucos vemos no mundo.
Com vocês, “A segunda vingança suína?”…
Ainda é cedo para a humanidade tirar conclusões a respeito dos possíveis estragos que a pandemia da gripe suína poderá causar ao mundo, porém, o que mais tem de verídico e perceptível nesse momento é a incerteza das informações pertinentes ao tema. Em meio a tanto alarde, restrito ao mal físico que o vírus pode causar aos humanos e ao prejuízo econômico da indústria da carne suína (inclusive rebatizaram o vírus de influenza A H1N1), pouco se tem falado das primeiras vítimas dessa cruel e fatídica história, que são os próprios suínos.
Desde que foram domesticados há cerca de nove mil anos, os porcos vivem neste momento a face mais triste e cruel de sua história. Os modernos criadouros suínos formam um ambiente completamente artificial e insalubre, sem ventilação e fétido, onde os pobres bichos vivem enjaulados em pequenos recintos em que mal podem se mexer, pisando apenas num piso de cimento frio. Só veem a luz solar no momento em que são levados de caminhão ao matadouro.
Todo esse martírio começa com a dolorosa inseminação artificial das fêmeas que, logo em seguida, permanecerão em minúsculas jaulas cercadas com barras de ferro onde se quer podem se virar. Ali, aguardam sua gestação de quatro meses até ser conduzidas para a jaula de parir, onde, além de ficar em pé, conseguem apenas deitar para que suas tetas sejam alcançadas pelos filhotes. Estes, em menos de quatro semanas, serão tirados da mãe, que após receber doses maciças de hormônios, entrará no cio e será inseminada, passando novamente por todo o ciclo de tortura. Completamente estressadas, mordem as barras de ferro que as cercam, além de ficar com o focinho em carne viva de tanto esfregar o chão de concreto à procura de terra e palha para construir o ninho que serviria para parir e proteger os filhotes – no mundo natural, as fêmeas chegam a percorrer até 10 quilômetros em busca de um lugar seguro para construir o seu ninho. Somam-se a isso, as feridas e a contaminação provocadas pela insalubridade de um local em que são obrigadas a deitar em cima das próprias fezes e urina.
O calvário das porcas transformadas em máquinas de produzir carne se estende aos filhotes, que após duas semanas, serão retirados do calor e da segurança materna. Este e outros traumas os acompanharão pelos seus curtos 150 dias de vida. Já nos primeiros dias após o nascimento, os porquinhos têm seus dentes cortados sem qualquer procedimento que alivie a dor dos nervos expostos. Mas, antes disso, sem qualquer anestesia, terão também o corte do rabo e, os machos, os testículos arrancados. Nesses lugares não existe consideração e compaixão com a dor alheia, o que importa é o lucro com o bacon, a banha, a carne, a linguiça e tudo mais que possa ser feito com um porco esquartejado.
Extremamente amedrontados, os porquinhos mutilados serão amontoados em pequenas jaulas imundas dentro de galpões com pouca ventilação, extremamente úmidos e sem nenhuma luz solar. Serão alimentados com ração que, além de hormônio, poderá ter em sua composição farelo de peixe. O que já é uma aberração, pois na natureza os suínos não comem peixes. Obrigados a conviver em meio a esse ambiente insalubre e hostil, cerca de 70% deles desenvolvem pneumonia e mais de 25% sofrem com parasitas tipo a sarna. E dá-lhe antibióticos e antivirais! Devido a essas condições imundas, aliadas à manipulação genética, é que os porcos acabam por contrair doenças e ao mesmo tempo desenvolver resistência contra elas. É o que pode ter acontecido com o vírus da gripe suína, suspeito de conter genes de várias espécies, entre eles os da gripe humana e aviária.
Na localidade de La Glória, no México, onde ocorreu a primeira manifestação da epidemia, a responsabilidade recai na criação de porcos das granjas Carroll, subsidiária da norte-americana Smithfield Foods, instalada ali em 1994 depois de ter sido expulsa da Carolina do Norte e da Virgínia por danos ambientais. A empresa cria e abate quase um milhão de animais por ano e é acusada de contaminar os recursos hídricos da região com fezes e urina dos animais, depositados em tanques a céu aberto.
No mundo natural e num ambiente saudável, os porcos são animais extremamente higiênicos, sensíveis e sociais. Têm uma inteligência igual ou superior a algumas raças de cachorros, atendem pelo nome e podem reconhecer entre 20 e 30 indivíduos diferentes. Então, a natureza é sábia e não é à toa que surgem nesse meio epidemias tipo a suína. E quem é o principal responsável por essa situação senão o consumidor? Quem sabe esta seja a segunda vingança contra seus algozes, já que a primeira decorre das inúmeras doenças desencadeadas pelo consumo de suínos sob a forma de gordura saturada.




