caixa de pandora

IDÉIAS SÃO BEM-VINDAS. AMARELAS, PRETAS, COR-DE-ROSA, LISTADAS, NÃO IMPORTA. SÃO ESSENCIAIS PELO SIMPLES – E IMPORTANTE – MOTIVO DE NOS TRANSFORMAR EM QUEM SOMOS. SERES ÚNICOS. EU SOU MO MARCH.

doces mulheres de fibra Junho 25, 2008

Sempre que ligo o computador, enquanto estou baixando meus e-mails, aproveito para espiar as manchetes mais importantes do dia na primeira página do UOL. Hoje não foi diferente e levei um choque. Morreu Ruth Cardoso, uma mulher que temos de admirar por sua força e inteligência sem perder o jeito doce de ser. Na verdade não sei o quão doce ela era, mas a figura sempre passava aquela aura de calma, de que com paciência poderíamos, mesmo, chegar lá.

Ela fez muito pelos projetos de ação social brasileiros, para quem não sabe. É uma vencedora. “Uma parte do Brasil irá lembrar de Ruth Cardoso como uma primeira-dama discreta, competente e severa”, disse Lucia Hippolito, cientista política e colunista do UOL. “Outra parte, como uma antropóloga consagrada, professora, orientadora, uma líder na Antropologia Brasileira”, completou. A colunista ainda lembrou da forma delicada como Ruth se comportava, sempre com disposição para atender aos iniciantes ou quem quer que fosse – sem deixar de ser, ao mesmo tempo, rigorosa.

Lucia ainda lembrou que Ruth acompanhou Fernando Henrique Cardoso no exílio e para todos os países e universidades estrangeiras onde ele foi, mas não somente como esposa, mas como professora-atuante ou pesquisadora-visitante, sem deixar de lado a sua vida profissional e sua independência. E quando o marido decidiu ser candidato a presidência da República, ela o apoiou e continuou, da mesma maneira, levando sua vida acadêmica, intelectual, pensando nas novas funções que ela estava desempenhando como esposa do Presidente.

Lucia Hippolito lembrou ainda que Ruth Cardoso foi a criadora, no governo brasileiro, do primeiro programa de inclusão social – adotado pelo governo Fernando Henrique e depois adotado, seguido e ampliado no governo Lula – chamado “Comunidade Solidária”. Era um programa extensivo que atendia famílias e pessoas carentes, mas ensinava um ofício, ou seja, tentava procurar um caminho efetivo para que a pessoa conseguisse seguir em frente, na melhor versão de “ensinar a pescar é melhor do que dar o peixe”.

Conclusão de tudo isso? Ruth Cardoso foi uma grande mulher. Um exemplo próximo de nós, brasileiras, para ser seguido sem medo. Foi independente, teve sua carreira, cuidou de sua família e teve luz própria – tudo sem perder a elegância e a forma educada de tratar as pessoas e a vida. É alguém para lembrar com carinho e servir de guia de comportamento exemplar.

A morte não é a última verdade. Ela nos parece negra, assim como o céu nos parece azul, mas ela não enegrece mais a existência do que o azul celeste mancha as asas dos pássaros.”

 

 

 

2 Responses to “doces mulheres de fibra”

  1. Lady Rasta Says:

    Lindo texto! Por uma dessas coincidências, eu frequentava o mesmo salão de cabeleireiro que D. Ruth e tínhamos a mesma manicure – hoje fui lá, e vc precisava ver o quanto ela (a manicure) estava triste, tinha chorado quando soube do ocorrido. E por que estou falando disso? Justamente para endossar esse lado delicado, educado, sempre com uma boa palavra para quaisquer pessoas que dela se aproximassem. Ela era assim mesmo, não é press release “arrumadinho” não… E bonito o que vc colocou: numa época em que o feminismo era aquela coisa homensXmulheres, queima de sutiãs, etc, ela achou antes das mulheres de sua geração, o caminho do meio (olha ele aí! – e dessa vez não é chato!): nunca deixou de acompanhar o marido mundo afora, mas por outro lado, nunca deixou de ser a profissional e estudiosa que era – uma verdadeira pós-feminista, aliando firmeza e doçura (acho eu…)
    Adorei !
    Ah! Entrei no link do Stachini (aí ao lado), e sua irmã se formou 5 anos depois de mim, é difícil que ela me conheça, mas nunca se sabe. Mas o Stachini é meu contemporâneo, temos amigos comuns, e o Camillo Sicherle (que é consultor do escritório) é muito amigo meu. Como vc vê, it’s a small world…
    Beijos!

  2. momarch Says:

    As coincidências que não existem na vida… É bom saber que aquilo que parece, pelo menos em relação à atitude de uma mulher como Ruth Cardoso, realmente é verdadeiro.

    Não adianta. Quando a pessoa é de um jeito, por mais que a gente duvide, logo vem a confirmação. Seja ela negativa ou positiva! Me alegra muito saber que aqui a segunda alternativa vence.

    E o mundo… bom, como já dizia uma amiga minha: “é uma ervilha”. =]

    Bjks!!


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